sexta-feira

Escravos do Preconceito


Vocês viram como aquele cara é estranho?


Um dia um dos meus amigos apontou o dedo para um local e disse: estão vendo aquele cara, olha só que folgado, se achando o gostosão. No mesmo instante todos olhamos juntos, como que ensaiados, para onde ele apontara e vimos um cara enorme, loiro, cabelo estilo do exército e todo espetado em cima, devido ao gel que usava.

A impressão é que ele andava em câmera lenta, coluna reta, movimentos harmoniosos e olhar meio que distante, mas sem deixar escapar nada e cumprimentando a todos, especialmente as meninas, dando selinhos ao beijá-las.

Um de nós já concordou com o primeiro, dizendo que era folgado mesmo, agarrando todas as meninas e se achando o gostosão, outro já emendou que só podia ser “mauricinho” e que devia estar como carro que o papai deu lá fora estacionado e mais um lançou um olhar dizendo, olhem lá como ele gesticula meio afeminado, ali tem coisa. Todos olharam pra mim e falaram e aí Joakim nada a declarar sobre o “Arnold”? Eu olhei para todos e disse: não sei o que é, mas não fui com a cara dele!

Vocês conseguem notar o que aconteceu acima?

Apenas olhando para alguém foi estabelecido como ele era, sua conduta, posição social e pasmem até sua sexualidade.

Baseado em que? Em conceitos que já temos entranhados em nosso ser, ou seja, conceitos pré- estabelecidos, que nada mais são do que pré-conceitos.

Preconceito é isso, julgarmos alguém antes de conhecê-lo, na verdade eles estão enraizados dentro de todas sociedades por meio de estereótipos, como ao falarmos que pessoas de tal país são burras de outro são frias, de certo estados são preguiçosas e de outros são arrogantes. Pode-se ver muito disso nas piadas, geralmente elas se referem a minorias, não só minorias por quantidade, mas também por razões sociais.

Se analisarmos bem, o preconceito no Brasil se concentra mais nesse aspecto, preconceito social. Não só das classes mais altas para mais baixas, mas também pelos costumes e crenças, que como citei acima já estão enraizados por todos os cantos e pelos quais somos expostos desde o nascimento.

Pode-se notar que o mesmo tipo de pessoas são tratados diferente conforme sua classe social, um exemplo bem claro pode ser visto na TV, geralmente se você é um ator de prestígio ou um atleta de destaque, você passa, como mágica, a não ter mais distinção de cor credo ou sexualidade, você estará na classe dita superior aos que menosprezam, nesse caso, os menos destacados.

Somos constantemente bombardeados por diversos preconceitos diretamente pelas mídias sociais, onde nos dizem praticamente o que vestir, ouvir, onde, quando e o que comer se quisermos ser bem aceitos na sociedade.

Aponte uma pessoa e diga que ela é feliz e aparecerá alguém para lhe dizer, é claro que não, o cara nem tem um carro, ela não é casada, eles não têm roupas chiques, a família toda não tem estudo, eles saem com pessoas do mesmo sexo, etc. Para várias pessoas existirão motivos diversos para que você não consiga, ou busque, sua felicidade, das frases mais usadas destaco: você é louco e o que os outros vão pensar.

E assim somos criados escravos de nossos pré-conceitos, crescendo ao redor de frases, piadas, histórias e dedos em riste que apontam para nós nos recriminando, fazendo de nós robôs que respondem sem pensar e apontam os dedos ao que acham que estão fora do padrão que aprendemos ser o certo.

Nunca deveríamos esquecer aquela velha máxima de que, quando um dedo aponta para o outro três dedos apontam para nós.

Então não sejam mais escravos de seus preconceitos e deem seu grito de liberdade, a cada corrente quebrada haverão mais pessoas para lutar contra o preconceito.

Ah, quanto ao garoto do colégio, passamos um mês se encarando, e um dia armaram uma disputa de braço de ferro, houve uma verdadeira gritaria, os braços eram levado da direita para esquerda, meu cotovelo parecia que ia quebrar, o rosto dele parecia que ia explodir, o braço voltou, retornou, travou, e não saia do lugar vantagem totalmente dele claro, lembro do professor entrando e ninguém querendo parar e ser o perdedor, mas decidimos pelo empate em vez da ida para diretoria.

Mesmo assim tivemos que sair da sala, fomos tomar cerveja lá fora, abraçar as meninas e vi, pelas sua atitudes, que era uma ótima pessoa e desse momento em diante parei de julgar o livro pela capa.

Aliás, ao nos ver conversando e rindo juntos um dos amigos lá de cima disse: será que você mudou de time? Eu só ri e falei: claro o dos sem preconceito, chega mais e vamos beber!

Nesse dia o “Arnold” entrou pra turma dos bagunceiros.

O resto é história...

Joakim Antonio 

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