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terça-feira

São Paulo, 23 de Agosto de 2016



Boa noite,

Venho, através dessas mal traçadas linhas, dizer que ando plantando muito, a colheita ainda demora, mas a bendita chuva veio. Muitos não gostam, eu adoro o friozinho que vem junto. Em casa não tem cachorro, só eu mesmo. Mas os passarinhos vêm brincar no jardim. Outro dia, com os amigos na rua, uma borboleta veio pousar em minha mão. Jurei que era um recado teu, pois apesar de uma fada me ensinar como atraí-las, eu pensava em tu. Me fez pensar que as coisas não estão andando e sim, voando.

Sabe, eu acho que minhas pernas estão mais fortes, o ombro não ajudava, então passei a ir e voltar a pé para a academia, como um treino de perna. Diminui meu tempo de conversa, no fim de dia, mas estar vivo e saudável garante muito tempo futuro. De qualquer modo, as melhores coisas da vida são ao vivo. Preciso fluir a alma, em fala, em escrita, em canto, em tua direção. A língua me ajuda muito, aprendi a usá-la de um modo bom, mas desejo aprender a tua.

As plantas foram podadas, a parreira vai crescer mais forte, já o boldo, capim santo, erva cidreira e quebra pedra, estão sempre por aqui. A dama da noite ocupa um espaço danado, mas o cheiro que exala e a lindeza dela, faz com que não perca espaço no quintal. Mas não foi isso que me levou a escrever.

Fui na cozinha e peguei um pedaço de bolo de puba, requeijão do norte e café e lembrei de ti, assim como disse que lembrei, ontem e anteontem, então resolvi prosear por aqui. Também fui procurar uma imagem que passasse o que falo. Não há segredos, não há gaiola, não há o querer ter pra se mostrar. Uma imagem do que há em mim.

Uma imagem da união do amor com o cuidado. 

Beijo !

Joakim Antonio


Imagem: Love after rain by Jayantara

Dispersando-se


Ainda não se entregara por completo, mesmo vendo letras no olhares e frases nos gestos. Estava a um passo de cair, uma brisa para voar, um instante para se despedir e finalmente aceitar, tudo que não era.
Não era poeta, não era verso, não sabia poesia; não era forte, não era bravo, não tinha a mínima noção de o quê lhe possuía. Mudara a rotina da noite e aceitara o dia, mas na tarde seguinte, via tudo mudado, de volta ao que não queria.

Buscou o silêncio, mas ele gritou, ao selar os lábios, começou a tossir. Tentou conter as mão no bolso furado, sentiu o chão gelado invadir a meia puída, e então, sem saber o que fazer, correu. Fugiu da própria sombra e se escondeu no sótão do céu, mas o céu o traiu e se abriu, revelando um novo tom.

Cansado e encarando o destino, parou de correr, andou vagarosamente até o precipício das letras, e ao contrário do que pregam, não lhe nasceram asas, não ouviu trombetas, não descobriu nenhum segredo do universo, apenas sentou e se entregou.

Aos poucos, foi virando criança novamente e começou a cantar. Sentiu a prosa no sangue, respirou a crônica no ar, o coração rimou dentro do peito e a divisão, entre ele e as letras, se dissolveu no ar.




Joakim Antonio



Imagem: http://slotigork.deviantart.com/art/Dissolve-150402244
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